quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

MEMORIAL DA VIAÇÃO EROLES


Caros amigos do GAMAQUETES, venho aqui postar à história de uma empresa de ônibus que já pertenceu a lista de umas das maiores do Brasil, que foi a Viação Eroles.
A Eroles foi fundada em 20 de dezembro de 1934 por Henrique Eroles. Com o intuito de prestar serviços de transportes coletivos na cidade de Mogi das Cruzes, sua linha inaugural foi do Centro da cidade até o bairro de Taiaçupeba, o veículo era um Chevrolet, mais conhecido na época como Jardineira. O transporte coletivo bem dizer não existia, o único transporte em massa que existia em Mogi das Cruzes era o trem de subúrbio que ligava até São Paulo, que na época eram carros de madeiras, puxados por locomotivas à vapor, e o intervalo de um trem para o outro era de hora em hora.
Em 1937 a Eroles fez sua aquisição do seu primeiro ônibus 0km, já em 1964, com agregação de familiares e com uma frota maior, surge a razão social Eroles Transportes e Turismo.
A Viação Eroles foi por muitas décadas monopólio no transporte público de Mogi das Cruzes, com o seu auge na década de 70 devidos aos bons serviços e o crescimento, à empresa fazia aquisição de novos veículos sempre de ótimas qualidades, confortáveis e seguros. Na região do Alto Tiete, a Eroles só perdia em números de linhas para Viação Poá, mas ela mantinha sua logística turística para várias regiões do Brasil, e suas linhas permanentes para Bertioga, Vale do Paraíba, Guararema, entre outras.
   Nos anos 70, foi feita uma grande aquisição, de veículos Incasel Jumbo, que circularam por décadas em suas linhas para o litoral , na foto acima podemos ver sua nova frota descendo a estrada de Mogi-Bertioga. Além da variedade na frota, os seus ônibus tinha outro diferencial, como no estofamentos dos bancos, cortinas na janelas, uniforme dos motoristas. Outro grande diferencial da empresa, era o serviço que atendia a população carente que não tinham condições de visitar a Basílica de Aparecida, a empresa levava gratuitamente essas pessoas, muitas vezes em grandes comboios que seguiam pelo Vale do Paraíba.
Uma bela foto dos anos 80, um Eroles CAIO Gabriela, observe o uniforme do motorista, todos trabalhavam assim, impecáveis até o encerramento da empresa.

Foto de 1987, um Comil Minuano, motor Volvo, um diferencial na frota.

Um Eroles Incasel Delta, até o final dos anos 90, poderiámos encontrar alguns modelos desses, circulando em sua linhas intermunicipais.

Já na década de 1990, a Eroles começa a fazer a renovação de sua frota, nos urbanos foram saído os antigos, e sendo substituído pelos CAIO Padron Vitória e os Mercedes Bens O-371, e os intermunicipais especialmente para Bertioga e para turismo, começaram a ser substituídos pelos Mercedes Benz O-371e Busscar Jum Buss. E foi no final dessa década que a empresa entra em declínio, alguns alegam que foi mal administração, outros falam que a empresa já não supria mais as necessidades do transporte de Mogi das Cruzes, devido ao "bum" populacional que à região do Alto Tiete teve nas décadas de 80 e 90. Com isso no início dos anos 2000, a empresa fez aquisição de novos veículos CAIO Milênium, e também teve a divisão da empresa, então acabou surgindo à Mito uma empresa nova e limpa, mas querendo ou não a Eroles concorria com ela mesma, sendo que a Mito era do mesmo grupo.  


Ônibus CAIO Vitória, que na década de 1990 era maioria na frota da Eroles. 

Mas a população mogiana entre 2004 à 2006, não estava mais satisfeita devido à atrasos nos ônibus das linhas, intervalos maiores, ônibus lotados, com isso a prefeitura da cidade resolveu abrir licitação para novas empresas, e a Eroles-Mito já estavam em uma crise arrebatadora difícil de se resolver em curto prazo, e a Trancel que pertence ao grupo Júlio Simões, foi a primeira a ganhar a licitação e aos poucos foi adquirindo as linhas da Eroles, e outra parte das linhas mogianas ficaram com a Mito. Para tentar salvar pelo menos a Mito, a empresa fez uma parceria com a Viação Suzano, mas não durou por muito tempo devido as dívidas e apreensões de ônibus por falta de pagamentos, então nisso a Viação Breda assumiu várias linhas intermunicipais e para o litoral. Em 2008 a Mito disponibilizava somente de 33 ônibus, sendo que o mínimo para operação era 90 e mais 12 de reserva, com um total de 102.

Um CAIO Milenium I, com a pintura da EMTU, e o nome da Mito, aquisição desse modelo foi feita na época em que a Eroles era o monopólio do transporte público de Mogi das Cruzes.

 Frota da Mito, Comil Svelto, nessa época a empresa estava com uma parceiria com a Viação Suzano.


 Mito com um Marcopolo Torino II

Pintura marcante da Viação Mito.

No final de 2008, a Mito tentou uma nova salvação, com aluguél dos veículos da Marcopolo e Comil, mas devidos as dívidas, ações na justiça, essa nova tentativa não deu muito certo, então a prefeitura de Mogi reincidiu o contrato com a empresa, e a Mito encerrou suas operações em 22 de janeiro de 2009, sendo substituída em caráter emergência pela Breda, e sua história termina com a venda da garagem que pertenceu à Eroles, do qual comportava 1000 ônibus, com 22 mil metros quadrados, ela estava abandonada desde 2009, e o leilão ocorreu no TRT da Barra Funda, o valor será destinados para pagamentos de ações trabalhistas.
Então nessa postagem podemos ver, o apogeu e decadência e uma empresa de transporte coletivo e turismo, e chegou a ficar na lista das maiores do Brasil, quem viajou nos ônibus da Eroles, agora restam lembranças, agora quem infelizmente nunca viajou, vamos então deixar esse memorial em sua homenagem mais vivo do que nunca 

Um lindo Busscar Jum Buss, em uma das ultimas pinturas da Eroles, anos 90.

Um Eroles CAIO Vitória para montar.

Um comentário:

  1. sou da regiao do alto tiete,de poá para ser mais exato,e tenho 28 anos,não vejo o brasil a algun anos...e pocha,nem tenho o que dizer,estou assustado,a eroles falida,era a anti-penultima coisa que eu iria imaginar (a penultima era o faustão magro e a ultima seria o silvio santos pobre!)...mais aquela fotinho da velha caio gabriela me deu um aperto triste no coração e ao mesmo tempo lembranças felizes,dos anos e das pessoas que ja se foram,da epoca em que eu ia ao velho restorante do meu avo em mogi,(o recanto holandes,que ficava na avenida fernando costa n.105),hoje o predio e a casa nem existem mais,pelo street view eu olhei a cidade a uns meses atraz e me desinterecei em continuar vendo,parece que construiram um barracão que foi pixado(ou aquele suposto vandalismo era para ser a fachada do comercio,juro que não intendi aquilo...)isso no lugar da velha e linda casa com aquela arquitetura anos 50/60 ,com janelas venesianas com molduras na parede e acabamento em relevo,interior com acabamentos em geso,e que o meu avo alugou para ampliar o seu negocio,por uns 20 anos ao todo,ate ele se aposentar.iamos de onibus,quaze toda semana,eu a minha mãe,e eu que sempre gostei de maquetes e miniaturas,(principalmente de trens e carros),e adorava olhar os detalhes internos daquelas capelinhas que ficavam coladas na tampa interna do barulhento motor da gabriela,hoje acredito que era de alguma padroeira mais não sei bem o que era de verdade,não entendo de religioes,e aos poucos eu fui deixando de ver as gabrielas e suas capelinhas,mais estava adorando os bancos altos(os que ficavam a cima das caixas de rodas)das victorias novas.(elas tmb tinham capelinhas,mais ja não me atraia tanto,por ficarem mais escondidas atras da tampa no tabelier)os anos se passaram,o meu avo se cansou e resolvel se aposentar e voltou para o velho sitio da familia em cezar de souza,quando eu comecei a usar mais o trem de suburbio até a estação de mogi e pegava no ponto de partida e ia até o ponto final da linha.(eu me lembro do velho tue series 400 laranjão com janelas plasticas totalmente opacas de tão riscadas e desgastadas,que a minha avó e minha mãe jura que ja aviam andado quando morava na europa,no metro de londres nos anos 60)dessa epoca,só sobrou as lembranças,as fotos,videos da familia,e incrivelmente o velho chevetinho do meu avo,o qual ele nos levava para bertioga,pro clube feital velho na sp 66,e que foi o seu ultimo carro até ele falecer em 20 de janeiro de 94...

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